Com 85 anos, o homem que criou a Quinta do Lago e o Belas Clube de Campo mantém a aura de visionário e sentencia: “Estamos num processo de transição do poder dos homens para as mulheres.” Histórias da vida rica de um menino judeu que fugiu ao nazismo e acabou por ser chamado “pai do turismo português”. Mas “quem será a mãe?”, pergunta

 

Quando celebrou os seus 80 anos, André Francisco Spitzman Jordan, com quatro filhos e oito netos, ainda dizia, meio a rir, que tinha a vida toda pela frente. Aos 85 já sente o peso do corpo que, por vezes, lhe condiciona a mente jovem. É daqueles homens a quem a imensa curiosidade prolonga os anos. Interessa-se por tudo o que faz o ar do tempo que vivemos e dedica parte dos seus dias a refletir sobre os caminhos que temos pela frente. Além disso, escreve o seu livro de memórias, ou não tivesse ele percorrido parte do fascinante e conturbado século XX.

Uma viagem que começou em Lwów, cidade polaca em 1933, ano em que nasceu, hoje território ucraniano, e vai acabar em Almancil, no Algarve, onde já comprou um jazigo. Mais tarde do que cedo, espera este bon vivant de riso fácil. Cresceu numa família de judeus abastados, produtores de petróleo; saiu do país a 1 de setembro de 1939, no dia em que as tropas alemãs entraram na Polónia. A fuga pela Europa iria trazê-lo a Portugal, antes de rumar ao Brasil. Fez-se homem como um “menino do Rio” com dinheiro, nas noites boémias e atordoantes da bossa nova. Foi jornalista, vendedor imobiliário, dono de empresas; conviveu com banqueiros, príncipes e princesas; foi ao fundo e reergueu-se, tal como fizera o seu pai, Henryk Spitzman Jordan.

Sem nunca perder o sotaque doce do país irmão, estabeleceu-se em Portugal, onde construiu, primeiro, a Quinta do Lago; depois, Vilamoura (com o projeto Vilamoura XXI); e, finalmente, o Belas Clube de Campo, às portas de Lisboa, onde vive desde que se separou da sua quarta mulher. É lá que o encontramos, pronto para a conversa.

Como se situa politicamente?

Não gosto de me proclamar um homem de esquerda por duas razões: porque os da direita ficam furiosos e os da esquerda também. Dizem: “Olha aquele milionário…” [Risos.] Fiquei muito contente com a Revolução [dos Cravos]. O meu pai era um homem de direita. Era polaco e foi muito ativo nos movimentos contra a Cortina de Ferro, contra a presença soviética. Tinha um sócio, um príncipe polaco que era casado com uma irmã da Jacqueline Kennedy, portanto era cunhado do John F. Kennedy. O meu pai aproximou-se do Salazar e teve alguma interferência em convencer a Casa Branca a diminuir a ênfase contra Portugal por causa das colónias em África. Argumentava que os revolucionários eram comunistas. E Salazar ficou-lhe muito grato por causa disso. Quando o meu pai morreu (prematuramente, aos 61 anos), o dr. Salazar enviou um cartão de condolências que me custou muito a decifrar porque a letra dele quase não se conseguia ler. Tal como a do atual Presidente.

Poderá ser uma característica do poder…

Eu acho que é de propósito [risos]. Então fui fazer uma visita a Salazar para agradecer. E ele disse-me: “Se quiser vir para Portugal, conte com o nosso apoio.” Mas eu não queria vir com esse regime. Por uma razão ideológica e outra prática. A prática era que o regime ia cair (não era possível que não caísse) e eu não queria estar associado ao fim do regime. Mas fui, de certa maneira, enganado, no bom sentido, pelo João Caetano, que era o filho do Marcelo Caetano, um arquiteto que tinha trabalhado com o meu pai. Dizia-me: “Vem para cá, precisamos de ti, isto vai mudar.” E eu acreditei que ia haver uma abertura. Comecei a Quinta do Lago, algo que foi muito importante para mim: ainda não tinha 40 anos e vi-me numa posição importante. Depois tiraram-me o tapete, tudo desmoronou.

Com o 25 de Abril…

A empresa ficou sob intervenção do Estado, não foi nacionalizada. Eu e o administrador-delegado da Lusotur ainda apresentámos um estudo ao governo, demonstrando como era importante manter as empresas vivas. Então fui para o Brasil…

Mas antes ainda andou a jogar golfe com o Otelo Saraiva de Carvalho.

É. Eu tinha um companheiro do golfe na Quinta do Lago, que trabalhava comigo, o António Carmona Santos, neto do marechal Carmona. Ele tinha um amigo chamado Fernando Oneto, que era braço-direito do Palma Inácio. As pessoas da direita acham muito suspeito como é que eu conhecia o Palma Inácio [risos]. O Oneto foi da comissão de extinção da PIDE-DGS e, no fundo, era um social-democrata e estava muito interessado em que eu estabelecesse um contacto com os norte-americanos. Fui com ele ao escritório do Otelo várias vezes. O Otelo não gosta quando eu conto essa história, mas ele expressou interesse na social-democracia, não era comunista. A 1 de novembro de 1974 íamos inaugurar o campo de golfe da Quinta do Lago e eu, ingenuamente, convidei o Otelo e ele aceitou. Mas foi um fracasso. Os golfistas eram do Clube de Golf do Estoril e “snobaram” o Otelo, ninguém falava com ele. Por outro lado, estavam lá umas senhoras da realeza europeia que ficaram empolgadas por o Otelo ser um revolucionário, uma espécie de Fidel Castro. Estavam verdadeiramente alucinadas com ele e a mulher do Otelo ficou furiosa. Foi uma comédia de erros e eu consegui ficar mal com todos. Mas estava só a tentar trazer o Otelo para o nosso lado.

E foram para o Rio.

O meu pai chegou ao Brasil com recursos bastante limitados e, em pouco tempo, construiu uma nova fortuna. Durante a vida passou muitas vezes pela situação de queimar uma fortuna e construir outra.

O que herdou do seu pai?

Ensinou-me duas coisas básicas: a não ter medo da vida e a falar com os poderosos. Eu falo com toda a gente.

E da sua mãe?

A minha mãe era uma verdadeira intelectual. Com ela as relações humanas eram um pouco difíceis, mas as relações intelectuais eram fascinantes. Falávamos horas sobre literatura, música, tinha uma cultura muito grande. E dizia frases com graça como: “Não há nada mais difícil do que a vida fácil.” [Risos.]

Como era a sua vida no Rio?

No Rio de Janeiro havia dois polos de poder: o bar do Hotel Copacabana Palace e o Jockey Clube, num palacete tipo francês. Uma coisa muito simpática da vida brasileira era o facto de as relações sociais não se basearem no dinheiro.

Então baseavam-se nos costados?

Era no estilo. No Brasil pode ser-se assassino, ladrão, tudo do pior. Não pode é ser-se chato. Se a pessoa adquirir a fama de chata, está lixada. Depois de os meus pais se separarem fui viver com a minha mãe para Nova Iorque, frequentei um colégio interno e o meu pai tirou-me de lá e levou-me para viver com ele no Copacabana Palace. Entrei na vida adulta e agitada do Rio aos 16 anos e já conhecia toda a gente. Comecei a trabalhar no jornal com 17 anos.

Como foi parar ao jornalismo?

No Brasil, naquela época, um naturalizado não podia ser nada. E eu percebi que o único caminho que eu tinha para a vida pública era o jornalismo. Além disso, gostava de escrever. O meu pai era amigo do dono do Diário Carioca e eu cheguei lá como um menino rico, naturalizado… Não podia ser pior. Fui muito mal recebido pelos outros jornalistas, mas, em pouco tempo, ficámos todos amigos. Comecei como repórter de rua. Eu escrevia, entregava o texto e nunca saía nada. Isto aconteceu quatro ou cinco vezes até eu tomar coragem para perguntar ao secretário de redação porque não publicava nada meu. E ele respondeu: “É que nós aqui fazemos jornalismo, não fazemos literatura.” A lição ficou para a vida: a notícia é no primeiro parágrafo.

Viveu uma vida boémia até se casar.

Na segunda metade dos anos 1950, eu descobri as escolas de samba e a bossa nova. As escolas de samba eram nos morros e a bossa nova nasceu em Copacabana, completamente zona sul, classe média.

E como conheceu a sua primeira mulher, uma princesa do Liechtenstein?

Foi em 1960, na inauguração da cidade de Brasília. Um cronista social organizou um baile das debutantes no Rio, com convidadas europeias. Pediu-me para eu ser acompanhante de uma delas. Quando entrei na sala reservada do Copacabana Palace olhei para a Mónica e disse: “Vou casar-me com aquela loura.” E assim aconteceu.

Era casado e tinha já dois filhos quando o seu pai morreu. Ficou à frente dos negócios dele?

Ele tinha empresas no Brasil, França, Portugal e Argentina, mas fui liquidando tudo porque não tinha sustentação. E decidi voltar aos EUA.

E como se lembra de Portugal?

Trabalhei numa grande empresa de imobiliário, era diretor internacional, mas não me dei muito bem porque, nas grandes empresas, metade do tempo é gasto em brigas e em meter a faca na quota do outro. Então saí e fui recrutado por uma empresa das Bahamas que estava a vender um empreendimento numa ilha. Na verdade, era gerida por um sujeito borderline da máfia que, numa discordância sobre estratégia, me chamou de idiota. Eu nunca tinha sido tratado assim na minha vida e decidi sair. Lembrei-me de Portugal. Já tinha a experiência de Punta del Este, no Uruguai, que era um grande resort. Então pensei fazer um assim na Europa.

E um sueco falou-lhe do Algarve…

Foi, numa ilha das Bahamas, ainda estava na empresa do bandido, e esse sueco disse-me que o que interessava era o Algarve. Na época estava a viver em Paris, voltei para lá, estava sem dinheiro, abri o Le Figaro e vejo um anúncio para o casino de Vilamoura. “Portugal está mexendo”, pensei. Liguei então ao João Caetano.

E fez a Quinta do Lago sem dinheiro nenhum [o banqueiro Pinto Magalhães, amigo do seu pai, vendeu-lhe a Quinta dos Descabeçados com condições muito favoráveis].

Se fosse para fazer um pequeno empreendimento, ninguém te dava um tostão. Mas se falarmos em milhões, aí aparece o dinheiro.

Apesar de não gostar do Estado Novo, dá-se o 25 de Abril e acaba por voltar ao Brasil.

Não tinha percebido o trauma que me causara a Segunda Guerra Mundial, embora fosse criança, mas o facto de termos perdido tudo e recomeçado tudo – aquilo estava dentro de mim. Daí ter vivido a Revolução de forma ambivalente. Estava muito ansioso por recomeçar a minha vida e comecei um empreendimento na Bahia. Correu muito mal, não pelo empreendimento, mas pelas relações com os sócios. E caí numa fossa. Fiquei muito mal de vida porque quanto maiores são as economias, mais cruéis se tornam. Por isso digo que Portugal é o melhor país do mundo para se ser pobre, porque as pessoas são solidárias e existe uma atitude de ajudar o próximo. É muito bonito. Mas tive uma grande depressão e fiz terapia.

Aí ganhou o gosto pela autoanálise que faz pela madrugada…

Na terapia aprendi a identificar a razão da angústia, a enfrentar o problema e a superá-lo. Quando houve oportunidade de recuperar a Quinta do Lago [aos sócios, que o tinham tentado afastar], em 1981, voltei a Portugal e ainda tinha angústias.

Tem insónias?

Não é insónia. É que velho dorme pouco. Durmo três, quatro horas, no máximo, acordo, e também aprendi a não ficar a sofrer com isso. Vivemos a vida acelerada, não paramos para analisar. Tenho descoberto a razão pela qual certas coisas tinham acontecido e quem as tinha causado. Não me tinha passado pela cabeça e nessa hora fica óbvio. É a hora egocêntrica. Agora mais intensa porque sinto aproximar o fim. E digo-o sem drama nenhum. Estou a acabar de escrever um livro.

Uma autobiografia?

São memórias. Porque as memórias eximem você de ter de contar tudo. [Risos.] Conto só o que convém contar. Tenho esse impulso, até porque esse século foi único na História da Humanidade. Nunca houve uma tal evolução científica ou transformação radical de costumes. Sou do tempo em que as senhoras iam de véu para a missa, o padre ficava de costas, falava em latim.

Mas é de uma família judaica…

A minha mãe converteu-nos ao catolicismo e era praticante.

Não se limita à autoanálise, também gosta de observar as outras pessoas. Acha que as “apanha” à primeira vista?

O ser humano surpreende-nos sempre. Ninguém consegue saber tudo sobre o outro. As pessoas são fascinantes. Nunca conheci uma pessoa modesta. Mesmo a mais simples tem alguma coisa da qual se orgulha e tem vaidade. Conheço pessoas humildes, mas não modestas. E isso é uma coisa muito positiva.

Contou uma vez que conseguia calcular a fortuna de alguém só de a olhar…

Trabalhei com o meu pai nas vendas (dos prédios). Tínhamos um escritório onde iam os clientes e eu aprendi a calcular quanto dinheiro a pessoa tinha logo à primeira vista, não só pela forma de vestir, mas também pela linguagem corporal. Era um mau hábito, do qual me livrei, mas levou tempo porque era automático, conhecia uma pessoa e dizia logo “Ela vale tanto”, mas não quero pensar nesses termos.

Como vendeu Portugal lá fora, depois de retomar a Quinta do Lago?

Ainda não foi completamente compreendido qual é o nosso mercado. Isso faz com que economicamente ainda não tenhamos alcançado os objetivos; foram atingidos em volume mas não em valor. Chamo-lhe o “portuguese style”: sóbrio, discreto. Fui trazendo jornalistas e pessoas influentes e construindo essa imagem.

Daí o chamarem “pai do turismo português”…

Aí eu pergunto: quem é a mãe? [Risos.] Demorei a perceber a história de me chamarem o pai, mas julgo que foi por eu ter conseguido difundir a alma portuguesa. Não era o sol, não era o território, era a alma, e isso caiu fundo em quem é sensível a esse estilo. Não é para toda a gente. Quando voltei à Quinta do Lago, os árabes estavam a comprar tudo em todo o lado. Nenhum comprou ali. De uma maneira geral não encontravam aqui aquela badalação de que gostam e que tem Marbella (e que matou Marbella).

Esta onda turística não está a matar Portugal?

Não. A onda turística é inofensiva. Mas também não traz grandes benefícios – é mais em quantidade e é um tipo de turismo que não gasta, não é rentável. Portugal está na moda e devíamos aproveitar para levantar a fasquia do lado cultural e do lado promocional. A gastronomia ajuda, mas ninguém quer comer comida de restaurante com três Estrelas Michelin todos os dias. O peixe grelhado é um grande capital nacional, principalmente no Algarve. E porque não temos um museu dos Descobrimentos? Berlim tem um Museu do Holocausto e não tem complexos em tê-lo. Das coisas mais irónicas é a Torre de Belém ter filas todos os dias e não tem nada lá dentro: é só pela mística dos Descobrimentos. Estamos muito pobres em oferta cultural.

E em oferta de luxo?
Não estamos a atrair de forma suficiente os clientes ricos, por falta de oferta cultural e de promoção específica para esse mercado. A questão do turismo de qualidade encontra um grande problema nos salários praticados. As pessoas com cursos universitários estão a ganhar €600 ou €700 no turismo! A economia portuguesa em geral tem de gerar melhores salários.

Temos uma bolha imobiliária?

Nunca houve bolha nem especulação. Em Espanha houve falências “trilionárias”…

Nós também tivemos muito crédito malparado.

Porque fizeram alguns maus financiamentos. O dinheiro era muito fácil porque os próprios bancos estavam a receber financiamento de organizações internacionais. Os grandes capitais batiam muito à nossa porta. Seduzidos pelo lucro fácil, os bancos abandonaram os seus critérios. Deu no que deu.

Não estamos a voltar a isso?

Acho que não, pelo contrário. O Banco Central Europeu é contra o imobiliário, porque não percebe que para Portugal ele é vital.

Se tirarmos as pessoas dos centros históricos das cidades, não perdemos o “portuguese style”?

Não havia pessoas. Andávamos pela Baixa de Lisboa e estava tudo degradado e sem gente. Agora é um tema político. O que devia ter sido feito era organizar um esquema de substituição de habitação para as pessoas que foram desalojadas. Como também o alojamento local devia ser muito mais regulamentado.

Como vê o crescimento dos populismos?

O mundo nunca esteve tão desordenado como agora, o que permitiu a eleição de Donald Trump para Presidente dos EUA. Se não fosse esta bagunça política, ideológica e económica que vivemos… Os populismos são uma reação aos efeitos da globalização, das migrações desordenadas.

Já perdeu muitos amigos por causa de Bolsonaro [ameaçou deixar de ser amigo de quem votasse no atual Chefe de Estado brasileiro]?

Não, acho que o Bolsonaro é que está a perder muitos amigos [risos].

Vai encontrando arrependidos, é isso?

Sim, as pessoas agora em conversa comigo começam a justificar-se. Vivemos num mundo tão materialista que o sujeito pode ser um imoral, defender as coisas que Bolsonaro e Trump defendem, mas desde que façam a política económica que a direita acha boa, tudo lhes é perdoado!

E Lula foi imoral? Você apoiou-o…

O Lula foi uma enorme desilusão. Apoiei-o porque a burguesia brasileira era completamente indiferente aos problemas do povo e era bom que um homem verdadeiramente do povo chegasse ao poder, o que é muito raro. Porque, por exemplo, o Mandela era um aristocrata… Só que Lula tem ali um génio do mal que é o José Dirceu. E deixou-se dominar. O José Dirceu montou uma máquina monstruosa de corrupção. Há países em que o poder é civilizado, mas há outros em que se cria uma tal reverência que quem tem o poder perde a noção da realidade, isola-se.

Em Portugal isso acontece?

De certa maneira sim. Conheço fulano tal que é nomeado secretário de Estado. Da próxima vez que estiver comigo já fala de maneira diferente, com aquela condescendência…

Como viveu os negócios no “país da cunha”?

Apesar de tudo, a corrupção em Portugal é episódica, não é uma doença como no Brasil ou nos EUA. Nos EUA, a corrupção é legal, estão sempre em campanha, sempre atrás de dinheiro. Há duas ou três famílias de milionários que dominam o processo eleitoral porque financiam tudo. Como é que não se consegue acabar com a venda de armamento? Como se consegue acabar com a legislação ambiental? Mesmo que perca a próxima eleição presidencial, o que Trump já estragou vai demorar muitos anos a reconstruir. É vital que se volte à luta pelo ambiente. Se cada um fizer a sua pequena parte, isso vai fazer uma grande diferença.

O ambiente é algo que o preocupa em relação ao futuro?

Sim. E a robotização também. Já estamos a caminhar para ter grandes massas de desempregados, que vão levar a um ajustamento do nível de vida da burguesia e da classe média. Quanto ao ambiente, as pessoas só se comovem com as coisas que vivem. Os jovens, ao contrário dos adultos, temem o futuro.

E são liderados por uma mulher adolescente…

É muito interessante e prova que, entre os jovens, os rapazes reconhecem a liderança das mulheres. Elas mandam naturalmente. Ao contrário do que poderia parecer, a libertação sexual deu muito poder às mulheres e julgo que estamos num processo de transição do poder dos homens para as mulheres. Isso deve-se à sua alta qualificação e à sua maior facilidade em se concentrar na tarefa a cumprir.

Sente-se com que idade?

É quase esquizofrénico. Mentalmente sinto uma idade, mas fisicamente o corpo não engana. A curiosidade é um fator muito importante para nos sentirmos jovens. A gestão da velhice é algo muito complexo.

Um homem que gosta tanto da vida teme a morte?

Não temo a morte nem um bocadinho, mas não tenho pressa.

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