A eficiência energética começa dentro de portas, em cada casa, avisa o Portal do Consumidor de Energia. Este alerta é particularmente importante num país como Portugal, em que 560 mil habitações não têm qualquer aquecimento disponível, segundo um estudo da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN).

Ao nível das medidas dirigidas à construção de imóveis, Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN, refere, em declarações ao Jornal Económico, que “hoje, fruto de uma maior consciência coletiva em relação aos valores da sustentabilidade, bem como do inexorável aumento dos custos da energia, existe uma grande preocupação com a sustentabilidade e o desempenho energético dos nossos edifícios”, salientando que a “gestão eficaz dos recursos, produção e utilização de eco-materiais na construção e reabilitação de infraestruturas e de edifícios, são desafios impostos pela transição para uma economia de baixo carbono”.

Reis Campos relembrou, contudo, que, “em Portugal, há  perto de seis milhões de alojamentos em Portugal, dos quais 560 mil não têm qualquer tipo de aquecimento disponível, o que corresponde a cerca de 10% do total”.

Sobre as inovações fundamentais que devem ser desenvolvidas a médio prazo neste setor, Manuel Reis Campos, destaca a “introdução do conceito de ‘Edifício com necessidades quase nulas de energia’ – edifício com elevado desempenho energético e em que a satisfação das necessidades de energia resulte em grande medida de energia proveniente de fontes renováveis”, algo que já é obrigatório desde 31 de dezembro de 2018 “para os edifícios novos, propriedade de uma entidade pública ou ocupados por entidades públicas e aplicável a partir de 31 de dezembro de 2020 para os edifícios novos licenciados”.

Cabe aos consumidores em geral estarem atentos aos gastos de energia, com benefícios óbvios para a sociedade e para a fatura que pagam pela eletricidade e gás utilizados no aquecimento doméstico, iluminação, banhos e higiene diária, confeção e armazenamento de alimentos. Quanto mais eficiente for a gestão energética, maiores serão os ganhos orçamentais mensais.

Foi com esse objetivo muito prático que a campanha “Gaste Menos em Energia”, realizada pela Comissão Europeia em Portugal, apresentou conselhos práticos de poupança para reduzir a fatura de energia, igualmente divulgados pela ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos no Portal do Consumidor de Energia. Para além dos programas governamentais orientados pela Secretaria de Estado da Habitação e pelo Ministério do Ambiente e da Transição Energética (MATE) destinados à melhoria da eficiência energética e das condições de isolamento térmico de cada habitação, a grande diferença no aumento de eficiência dependerá da forma como cada consumidor souber gerir os seus gastos diários de energia.

Por exemplo, é possível quantificar o efeito da utilização de uma extensão inteligente na poupança obtida na fatura anual de energia, atendendo a que permite desligar automaticamente dispositivos que não estão em utilização. Ou, igualmente, o ganho que pode ter na compra de uma nova televisão, sabendo-se que, em termos médios, uma televisão LED permitirá poupar cerca de 17 euros por ano, segundo informação da Comissão Europeia. A mudança de hábitos de banhos de imersão por duches de cinco minutos permitirá reduzir o gasto de água corrente em cerca de 50%, com poupanças de custos que podem ultrapassar os 43 euros anuais.

A instalação de uma cabeça de chuveiro económica, com limitador de caudal permitirá que uma família de três pessoas possa poupar cerca de um metro cúbico de água por mês, o que corresponde a uma poupança média de 45 euros anuais. Admite a Comissão Europeia que as poupanças anuais numa fatura de 500 euros possam ser da ordem dos 50 euros anuais.

Em Portugal, a Comissão Europeia desenvolveu campanhas de divulgação para a utilização eficiente de energia a partir de setembro de 2018, dirigidas aos jovens e aos professores, para formação de hábitos de eficiência energética, e de consumos racionais de água ou de outros recursos. O objetivo das campanhas é fomentar a redução de gastos domésticos, mantendo o nível ótimo do conforto dentro das habitações, beneficiando igualmente o meio ambiente através da redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Um dos exemplos pioneiros ao nível da sustentabilidade vem do Belas Clube de Campo, com o projeto ‘Lisbon Green Valley’, que recentemente foi sido reconhecida como a primeira comunidade residencial europeia a responder à diretiva da Certificação Energética e obtido a certificação segundo as normas de Qualidade e Ambiente ISO 9001 e ISO 14001.

Gilberto Jordan, presidente do Grupo André Jordan, diz ao Jornal Económico, que o Belas Clube de Campo, tem sido pioneiro em parâmetros “como o isolamento térmico e acústico muito acima da média; luz natural em todas as divisões; painéis fotovoltaicos que alimentam baterias que posteriormente vão abastecer a casa; pontos de carregamento elétrico de carros; sistema de aquecimento e arrefecimento de pavimento radiante e painéis solares térmicos”.

Gilberto Jordan frisa que “é necessário criar medidas que assegurem o futuro do planeta e da sociedade, e que garantam o mundo mais sustentável para as gerações futuras, depois de séculos da utilização excessiva de recursos”.

O economista diz que para “encarar o problema de frente temos de estar cientes da importância cada vez mais acentuada do tema da sustentabilidade em todas as atividades económicas e nesse sentido é necessário uma reflexão que integre vários aspetos”, que passam desde a “habitação, mas também por outros setores, como o dos transportes, da energia ou da saúde”, remata.

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