O Prémio André Jordan 2018 distinguiu João Appleton, Sónia Alves e Karl Benjamin Kraehmer na edição deste ano, em que o arrendamento urbano e as necessidades de habitação foram os temas centrais dos trabalhos dos vencedores.

O Prémio André Jordan é uma iniciativa da Confidencial Imobiliário que pretende promover o desenvolvimento de trabalhos académicos e científicos na área do imobiliário, turismo e cidades. A sua grande missão é «contagiar o meio científico com as preocupações do mercado, e trazer para o mercado o conhecimento científico», afirmou Ricardo Guimarães, diretor da Ci, na abertura da cerimónia.
O júri do Prémio André Jordan, presidido pelo Professor Augusto Mateus, elegeu como vencedor da edição de 2018, na categoria de Doutoramentos / Artigos Científicos, a tese de Doutoramento de João Appleton, do Instituto Superior Técnico (UTL). Sob o tema “A Avenida Almirante Reis, uma História Construída do Prédio de Rendimento em Lisboa”, o trabalho reflete sobre o mercado de arrendamento na cidade de Lisboa e lança um olhar retrospetivo sobre a indústria dos prédios de rendimento e o seu processo de desenvolvimento no contexto da cidade, tomando como caso a Avenida Almirante Reis. Por outro lado, estabelece uma relação entre o formato do “prédio de rendimento” e a oferta de habitação para arrendamento, por oposição às frações de propriedade horizontal, e contextualiza a degradação dos edifícios no centro de Lisboa por via de uma sucessiva descapitalização dos proprietários, fruto do congelamento das rendas. Este estudo propõe também uma reflexão sobre os princípios que deverão estar subjacentes à reabilitação destes edifícios no centro das cidades.

A Menção Honrosa deste ano, na categoria Teses de Doutoramento/Artigos Científicos foi atribuída a Sónia Alves, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do Danish Building Research Institute da Aalborg University, em Copenhaga, com o artigo “Poles Apart? A Comparative Study of Housing Policies and Outcomes in Portugal and Denmark”. Este trabalho faz um estudo comparativo das políticas de habitação e dos regimes de propriedade dominantes entre Portugal e a Dinamarca, para demonstrar que o sistema de habitação dinamarquês é a ilustração perfeita de um sistema de arrendamento integrado, mostrando um notável equilíbrio entre os mercados de arrendamento e de compra de casa própria. A tese mostra também que na Dinamarca foi possível conciliar o mercado de arrendamento livre com o de arrendamento “social”, com diferenças apenas marginais entre a qualidade e o valor das rendas do setor de arrendamento com e sem fins lucrativos.

O prémio na categoria de Dissertações de Mestrado foi, este ano, entregue a Karl Benjamin Kraehmer, do Politécnico di Torino, que sob o tema “Gentrification without Gentry? Tourism and Real Estate Investment in Lisbon” faz uma síntese do mercado de alojamento local na cidade de Lisboa e do seu percurso. É a perspetiva de um autor estrangeiro sobre a evolução deste mercado e em que contexto surge – enquanto solução de financiamento da reabilitação e como alternativa aos usos tradicionais dos fogos – fazendo ainda uma leitura histórica das condições que levam ao abandono das cidades e as condições para o regresso da reabilitação. O autor põe ainda em evidência os desafios de assegurar a estabilidade das comunidades que residem à luz da evolução do mercado, os benefícios que a reabilitação traz e o risco de uma certa descaracterização numa nova dinâmica.

Para André Jordan, presidente do Grupo André Jordan, «este prémio começou da escassez de trabalhos académicos sobre o setor imobiliário». Destacando a evolução do setor nas últimas décadas, afirmou que «temos hoje uma indústria ao nível internacional na qualidade e no produto».
Augusto Mateus, presidente do júri do Prémio, destacou a importância do prémio enquanto ferramenta para ter um profundo conhecimento das realidades e para «sinalizar aquilo que a sociedade, os estudiosos e o mercado dão como mais relevante, numa articulação do mercado com a democracia». Para si, imobiliário, turismo ou cidades «são atividades decisivas para o futuro, nas quais não se podem repetir os erros do passado».

Na edição 2018 do Prémio André Jordan, os vencedores recebem um prémio com o valor pecuniário de 7.500€ para Teses de Doutoramento ou Artigos Científicos, bem como um prémio pecuniário de 1.000€ para dissertações de Mestrado. Por forma a aproximar os meios técnico, científico e profissional, os trabalhos premiados serão ainda publicados numa edição adaptada para distribuição aos profissionais do mercado Imobiliário.

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