O Salão Imobiliário (SIL) começou esta quarta-feira e prolonga-se até 7 de outubro. Conta com 350 expositores

Há 12 anos, quando se entrava no Salão Imobiliário de Portugal (SIL) — que está agora a decorrer na Feira Internacional de Lisboa (FIL) até domingo — o que saltava à vista eram as maquetes. Grandes maquetes dos empreendimentos que estavam previstos, tanto edifícios de habitação ou resorts, mas também de intervenções nas cidades. Mas depois veio a crise e muitos desses projetos foram cancelados ou faliram, levando ao afastamento dos investidores.

Só em 2015 é que os promotores começaram, de novo, a mostrar mais interesse em participar no SIL. “Nos últimos três anos tem havido um regresso dos promotores ao Salão, não só novos investidores como outros que deixaram de participar”, diz ao Expresso o vice-presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), Hugo Santos Ferreira.
Esta associação leva consigo 25 empresas (o ano passado eram menos de 20) e uma das estreantes é a Louvre Properties, uma promotora de capitais estrangeiros gerida por portugueses que se estreia agora no SIL com a apresentação de um dos projetos que está a desenvolver, o Rosa Araújo 12, em Lisboa.
E há depois empresas que escolheram participar fora do espaço da APPII, como é o caso da estreante Cafe, ou de outros que sempre participaram mas que este ano reforçam a sua presença como a Civilria, a Planbelas, de André Jordan; a Alves Ribeiro ou a Sonae Capital com o Troia Resort.

Tanto para Hugo Santos Ferreira como para Sandra Fragoso, gestora do SIL, a razão para este reforço é muito simples: há mais promotores no mercado, mais projetos em curso e mais procura, principalmente de estrangeiros. É, por isso que, além dos investidores há também um regresso das autarquias ao SIL. Por exemplo, este ano há uma cidade convidada — o Seixal — que está a destacar o Lisbon South Bay, o projeto que irá ocupar, entre outros, os antigos terrenos da Lisnave. E está também a Câmara de Lisboa a divulgar a intervenção dos antigos terrenos da Feira Popular. “Os principais investimentos são feitos nas cidades e no SIL estarão a promover os seus ativos imobiliários, tendo como principal objetivo atrair investimento”, diz ao Expresso Sandra Fragoso.

De facto, mais do que um espaço para fazer negócio, o SIL é ainda hoje um local para promoção e para fazer contactos e estreitar relações. Algo que todos os agentes do mercado contactados pelo Expresso consideram ser uma necessidade dado o bom momento que o setor atravessa. “O desenvolvimento de relações pessoais é um factor estratégico de negócio”, conta ao Expresso o CEO da Century 21, Ricardo Sousa.

Expectativa de negócios

Se há mais empreendimentos há mais casas a chegar ao mercado, logo, a precisar de ser vendidas e portanto, as mediadoras presentes no SIL não contam apenas fazer contactos nesta feira, mas também alguns negócios.
“Este ano temos cerca de 60 mil imóveis disponíveis para venda”, diz ao Expresso João Pedro Pereira, da comissão executiva da Era, que justifica o reforço com o bom momento se vive no sector. “É o melhor desde o início da crise”, nota. Também a Remax conta com 60 mil casas para vender e até alargou o seu espaço de exposição em 40% para 1400 m2 . “Esperamos um maior número de visitantes, razão pela qual aumentámos o nosso espaço”, diz fonte oficial da empresa.

Outra presença reforçada é a da Sotheby’s. A mediadora de luxo está a apresentar alguns dos empreendimentos que tem à venda e decidiu promovê-los através de realidade virtual. Um deles é o White Shell, um resort no Algarve desenvolvido pela Vanguard Properties, a empresa de Claude Berda.

Contas feitas, com mais empresas presentes e a ocupar mais espaço, o SIL teve de duplicar de tamanho, ocupando agora dois pavilhões da FIL onde estão mais de 350 expositores. “É um recorde participação”, diz Sandra Fragoso. E “um dos maiores salões realizados em Portugal”, nota o presidente da Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP), Francisco Bacelar.

Ouro Grand e Lisbon South Valley premiados

Tal como acontece em todas as edições do SIL foram entregues na quarta-feira à noite os prémios para os melhores empreendimentos concluídos este ano. Há duas categorias — melhor empreendimento e melhor reabilitação — cada uma delas com várias subcategorias.
Por exemplo, o Mar Shopping Algarve, da IKEA, venceu o prémio de melhor empreendimento na subcategoria de comércio. E o Praia do Sal Lisbon Resort, da Libertas, venceu na subcategoria de habitação. Na reabilitação urbana, o Ouro Grand, um empreendimento da chinesa Level Constellation na Baixa de Lisboa, venceu na subcategoria de habitação e nova a sede da sociedade de advogados Vieira de Almeida, um projeto da Fidelidade perto de Santa Apolónia venceu na categoria de escritórios.

Mas um dos principais vencedores foi o Lisbon Green Valley, o novo empreendimento do Belas Clube de Campo, de André Jordan, que venceu o prémio de construção sustentável e eficiência energética.

Ana Baptista
economia@expresso.impresa.pt

Jornal Expresso, secção de Economia, 05-10-2018

Partilhar

Share on facebook
Share on linkedin