Era criança quando chegou a primeira vez a Portugal. Vinha com a família, em fuga a Hitler. Regressou aos 65 anos, depois no início dos anos 70 e ficou. Por várias razões. A primeira que enumera: as “características humanas” dos portugueses.

É a lupa da infância que marca as primeiras memórias que André Jordan guarda de Portugal. Como tudo parecia grande e distante: o aquário do hotel onde dormiu as primeiras noites no Chiado; o trajecto que fazia pelo pinhal que então existia entre o Colégio St. Julian’s e o mar de Carcavelos. “São umas centenas de metros mas, naquela altura, parecia um grande passeio.” André Jordan tinha seis anos e o destino cruzava-se pela primeira vez com Portugal, o país onde voltaria várias vezes em negócios até se mudar em 1970 para criar a Quinta do Lago, em Almancil. “Levo 48 anos a viver em Portugal”, precisa o empresário brasileiro, no sotaque que nunca perdeu.

A família tinha saído da Polónia na véspera da invasão alemã que originaria a Segunda Guerra Mundial e o itinerário da fuga trouxera-os a Portugal, de onde partiriam de barco para o Brasil, seis meses depois. O período de estudos no St. Julian’s foi curto, mas não deixa de ser “curioso”, analisa agora. “O meu filho mais novo também veio a formar-se lá, muitas décadas depois, e agora uma neta minha está lá também.” Em 1965, quando regressa a Portugal pela primeira vez, “impressiona-o muito” fazer de novo aquele caminho entre Lisboa e o Estoril. A Avenida Marginal tinha sido entretanto construída ao longo da costa, desenhando aquele que considera ser, ainda hoje, “um dos passeios mais bonitos da Europa”.

Falar do país onde soma mais de metade dos seus 84 anos é um exercício de comparação constante entre passado e presente, numa dialéctica que não foge às geografias do percurso profissional, da imagem de Portugal que ajudou a levar ao mercado turístico internacional nem do papel que teve na transformação do Algarve. Portugal, constata o empresário, é hoje “muito diferente” do país que conheceu brevemente na infância ou daquele que encontrou no início dos anos 1970. Veio a democracia, depois a entrada na União Europeia. O país “internacionalizou-se”, sobretudo as grandes cidades de Lisboa e Porto. Nos últimos anos, as low cost trouxeram o turismo de massas, que considera não ser “o mais benéfico para o país”. Mas Portugal, defende, nunca “perdeu as características humanas”, o “portuguese style” que o fez apostar no Algarve quando a região ainda “não tinha nada”.

“A maneira de ser, discreta e sóbria, o bom gosto da arquitectura e da decoração, o respeito humano e a cortesia, sem ser subserviente”, enumera. Foi essa personalidade, sem “exuberância nem luxos exagerados”, mas aliada a “boa qualidade e bom serviço”, que o levou a criar a Quinta do Lago, o empreendimento turístico e imobiliário a que ficará irremediavelmente associado, apesar de o ter vendido em 1987. “Eu sabia, e ficou provado, que havia uma clientela europeia sofisticada que procurava esse estilo de vida.” Foi essa visão de Portugal que vendeu lá fora com os três empreendimentos turísticos que ajudou a erguer ao longo das últimas décadas: Quinta do Lago, Vilamoura e Belas Clube de Campo, onde vive actualmente. “Mudei-me para aqui há uma semana”, conta, em entrevista telefónica.

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