Algarve. Brexit afasta turistas e obriga Portugal a apostar em quem paga mais

O terrorismo mudou os fluxos turísticos e o pais ficou a ganhar. No entanto, os preços mais baixos e o decréscimo da violência voltaram a pôr a Turquia e o Egito nas preferências. Solução poderá ser apostar nos turistas dispostos a gastar mais e regressar sempre.

O número de apaixonados pelos encantos portugueses começou a aumentar abruptamente e o turismo fez-se bandeira do país. Com os resultados a suportar grande parte das contas nacionais, multiplicaram-se apostas neste setor e as previsões continuaram otimistas, apesar de todos os problemas que começaram a ser levantados por quem considerava que devia haver crescimento, mas com conta, peso e medida. No entanto, nem todas as tendências chegam para ficar. Tanto os preços baixos como a diminuição da violência fizeram com que os turistas que colocaram Portugal na rota principal começassem a regressar à Tunísia, Egito e Turquia.

O Algarve continua a ser uma das apostas mais fortes para atrair quem queira passar uns dias de férias em Portugal e a verdade é que a maioria dos turistas estrangeiros começaram, desde cedo, a mostrar intenção de regressar rapidamente depois de conhecerem a região.

A conclusão faz parte de um estudo recente sobre o perfil do turista que visita o Algarve, que mostra ainda que o sul do país é avaliado de forma positiva por 98% dos turistas que elegeram o destino nos últimos tempos. “A avaliação positiva do destino Algarve é transversal aos vários perfis de turista, sejam eles tradicionais ou residenciais, alojados em qualquer uma das diferentes zonas da região e viajando dentro ou fora da época alta. Esta satisfação, combinada com um custo considerado acessível, justifica a afinidade dos visitantes com a região”, explica o documento do Turismo de Portugal.

Em relação aos municípios mais procurados pode dizer-se que os turistas tradicionais procuram sobretudo Albufeira (42%), Loulé (12%) e Portimão (12%). Já os turistas residenciais mostram mais interesse por Faro (7%), Lagos (8%), Silves (7%) e Tavira (7%). Este último tem conquistado principalmente turistas reformados. De acordo com os dados revelados por esta análise, feita pela Universidade do Algarve, os turistas residenciais permanecem, em média, 12,6 dias na região e a grande maioria já conhecia o Algarve (87%). Para além da casa própria utilizam também o arrendamento privado (47%), que é reservado maioritariamente online (61%), no Booking.com (23%) ou no AirBnb (28%), o que sugere que cada vez mais o alojamento local ganha consistência e quota de mercado.

Há muitos mais aspetos que conquistam quem deseja visitar Portugal. Os dados mais recentes mostram que também a gastronomia e a cultura portuguesas estão na moda. Mas nem sempre a promoção que é feita conquista ou é suficiente. E é aqui que deve ser feita uma maior aposta, de forma a tentar contrariar a fuga de turistas para destinos alternativos. É esta a opinião de André Jordan, para sempre o dono da Quinta do Lago, que explica: “Temos tido sempre um grande défice de promoção. É inegável que a Inglaterra tem estado a passar por problemas e é preciso ter estratégias para que isso não afete a procura.”

Para André Jordan, uma das soluções é apostar “em eventos e atrações estáveis. Não podemos ter uma coisa este ano e para o ano não saber no que vamos apostar. Os turistas têm de saber o que podem esperar. Podíamos ter, por exemplo, um festival de cinema”. O empresário garante também que é preciso ter em atenção o tipo de turistas que Portugal recebe e o dinheiro que estão dispostos a gastar. “Temos de nos concentrar mais no turismo de qualidade. Não temos território e condições para fazer turismo barato de forma rentável. Precisamos de turistas, sim, mas a aposta tem de ser no turismo de qualidade e temos condições para isso. Temos de ter foco no turista que paga bem e que é estável, ou seja, que regressa.”

 

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